A Casa de Dionísio é um blog destinado a divulgação da arte e suas diversas manifestações. Um pequeno blog para reverenciar toda a grandeza artística.
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quinta-feira, 5 de julho de 2012
XXXV Salão de Artes Plásticas "Waldemar Belisário"
terça-feira, 12 de junho de 2012
Festa de São João - Campo do Galera
A comunidade católica de Ilhabela celebra São João Batista - o segundo dos ‘três santos do mês de junho’ - a partir desta sexta-feira (15/6). Até domingo (17/6), celebrações religiosas e a tradicional quermesse em louvor ao santo que batizou Jesus Cristo prometem levar muita alegria na Capela de São João, no Perequê, e no Campo do Galera, na Água Branca.
A programação litúrgica na Capela de São João, no Perequê, conta com a novena preparatória de 15 a 23 de junho, sempre às 19h30, além do tríduo nos dias 21, 22 e 23, também às 19h30. No sábado (24/6) será celebrada a missa festiva em honra ao santo, às 19h30, seguida de procissão.
O Campo do Galera já está todo colorido e receberá barracas e bandeirinhas para receber as três noites de quermesse, que contará com comes e bebes típicos de festas juninas e sorteios de prêmios. A renda é revertida para a manutenção, reforma e ampliação da capela.
A festa que tem uma tradição de cerca de cem anos conta com o apoio da Prefeitura de Ilhabela, por meio da Secretaria de Cultura e terá diversos shows sempre às 21h30.
Confira a programação:
15/06 - Sexta-feira
21h30: Trio Luar (foto)
16/06 – Sábado
21h30: Encontro Sertanejo
17/06 - Domingo
21h30: Roney e Allan
Mais informações na secretaria da Paróquia Nossa Senhora D’Ajuda e Bom Sucesso, pelo telefone (12) 3896-1227.
Fonte: Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Ilhabela
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Procissão Marítima de São Pedro está com inscrições abertas em Ilhabela
terça-feira, 22 de maio de 2012
Chega ao Fim a 12ª Semana da Cultura Caiçara em Ilhabela
Congada atrai turistas e moradores na Vila em Ilhabela
Fonte: www.ilhabela.sp.gov.br
sexta-feira, 11 de maio de 2012
XII Semana da Cultura Caiçara - Exposição "Congada" na Sec. da Cultura
A exposição é formada por imagens da fotógrafa Maristela Colucci, Edinir Cézar e do acervo da Secretaria da Cultura que retratam cenas dos bailes da Congada de Ilhabela na Festa de São Benedito, além de telas inusitadas da artista plástica Marisilda Gasbarro.
A artista - Marisilda é arquiteta, designer, cenógrafa, programadora visual e professora de artes. Foram esses os caminhos percorridos por ela até dedicar-se, em tempo integral, às artes plásticas. Artista de múltiplos recursos, Marisilda transita com desenvoltura do abstrato ao figurativo; sendo que aqui, seu trabalho tangencia o hiperrealismo. Nesse deslocamento entre linguagens, a artista passa do figurativismo ao tratamento intensificado da luz e vai até a abstração expressionista, através da exploração de texturas e suporte, criando grafismos gestuais e taches multicoloridas. O conjunto de sua obra revela tendências que se alternam, de acordo com os propósitos temáticos e sua expressão.
Os trabalhos abstratos de Marisilda Gasbarro somam o gesto livre ao registro vigoroso do movimento. O fundo e as formas definem-se organicamente, sobre tela ou madeira, com superfícies ricas em relevo e movimento.
Mas desde que fixou residência na Ilhabela, em 2006, sua sensibilidade parece ter sido arrebatada pelo seu entorno e a artista tem privilegiado o figurativo. Com o apoio da fotografia, Marisilda tem buscado a mais fiel reprodução da realidade.
A ambientação está a cargo da Equipe da Secretaria da Cultura e dá todo o clima caiçara à exposição que permanece aberta aos visitantes até o dia 4 de junho.
A Secretaria da Cultura de Ilhabela fica na rua Dr. Carvalho, nº 80, na Vila. A entrada é franca. Mais informações pelo telefone (12) 3896-1747.
Fonte: Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Ilhabela
Exposição "Arte Caiçara" no Centro Educacional e Cultural "Prefeito Roberto Fazzini"
“Arte Caiçara” é tema de exposição no Centro Cultural da Praia Grande em Ilhabela.
O Centro Educacional e Cultural “Prefeito Roberto Fazzini”, na Praia Grande, sul de Ilhabela, abre na próxima segunda-feira (14/5), a exposição “Arte Caiçara”. A mostra é promovida pela Prefeitura de Ilhabela, por meio da Secretaria da Cultura e do Instituto Histórico Geográfico e Arqueológico, com parceria do Ponto de Cultura Pés no Chão e a colaboração da comunidade tradicional da Ilha do Búzios e a família Souza, do sul do arquipélago. “A exposição foi idealizada visando a valorização e a divulgação da arte tradicional de Ilhabela que permanece sendo produzida pelas comunidades até o dia de hoje e que revelam um importante patrimônio cultural do município”, explica a arqueóloga Cintia Bendazzoli.
Fazem parte da exposição objetos artesanais caiçaras, produzidos pela Comunidade da Ilha da Vitória, da Ilha dos Búzios e do sul da ilha. Todos confeccionados com diferentes matérias primas como tecido, madeira, barro, palha, folha de bananeira, entre outros. São utensílios de uso cotidiano, doméstico, adornos e enfeites.
As visitas de escolas podem ser agendadas pelo no próprio centro cultural pelo telefone: (12) 3894-1448. A exposição fica no mezanino do Centro Cultural, sempre das 9 às 17 horas, de segunda a sexta-feira, à Avenida Riachuelo, nº 1929.
Fonte: Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Ilhabela
Dança Folclórica: Pau de Fitas
quarta-feira, 9 de maio de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
XII Semana da Cultura Caiçara e Congada de Ilhabela na Festa de São Benedito
A programação da XII Semana da Cultura Caiçara, Festa de São Benedito e Congada de Ilhabela acaba de ser fechada. Trata-se do maior evento cultural do arquipélago realizado em conjunto com a Prefeitura de Ilhabela, por meio da Secretaria da Cultura e da Fundaci (Fundação Arte e Cultura de Ilhabela), Associação dos Congueiros e Paróquia Nossa Senhora D’Ajuda.
Confira a programação:
14/05 - segunda-feira
19h30 - Abertura oficial do evento com a Orquestra Popular de Ilhabela – Fundaci.
20h30 - Abertura da Exposição “Congada” e lançamento do livro “A Congada de São Benedito”.
Local: Prédio da Secretaria da Cultura - Vila
15/05 - terça-feira
10h00 – Apresentação de danças tradicionais e lendas de Ilhabela.
14h00 – Apresentação de danças tradicionais e lendas de Ilhabela.
20h00 – Espetáculo teatral “Histórias do cotidiano Caiçara”.
Local: Galpão das Artes - Cocaia
16/05 - quarta-feira
10h00 – Apresentação de danças tradicionais e lendas de Ilhabela.
14h00 – Apresentação de danças tradicionais e lendas de Ilhabela.
20h00 – Espetáculo teatral “Histórias do cotidiano Caiçara”.
Local: Centro Educacional e Cultural "Prefeito Roberto Fazzini" - Praia Grande
17/05 - quinta-feira
20h00: Quermesse
21h00: Show com Roney Alves e Banda
Local: Praça Coronel Julião Torres - Vila
18/05 - sexta-feira
17h00: Levantamento do Mastro
18h00: Apresentação da Congada Mirim
19h00: Distribuição do Bolo de São Benedito e concertada
20h00: Quermesse
21h00: Show com Grupo BokaLoka
Local: Praça Coronel Julião de Moura Negrão (Vila)
19/05 – sábado
09h00: Meia Lua - Procissão de São Benedito
10h00: Baile dos Congos nas Ruas da Vila
12h30: Ucharia de São Benedito
Local: Escola Gabriel Ribeiro dos Santos
14h30: Baile dos Congos – nas Ruas da Vila
19h30: Missa Tríduo – Igreja Matriz Nossa Senhora D’Ajuda e Bom Sucesso.
20h00: Quermesse
21h00: Show com Ataíde e Alexandre
Local: Praça Coronel Julião de Moura Negrão (Vila)
20/05 – domingo
06h00: Alvorada Festiva.
08h30: Meia Lua - Procissão de São Benedito
09h00: Missa dos Congos na Igreja Matriz Nossa Senhora D’Ajuda e Bom Sucesso.
10h30: Baile dos Congos
Local: Ruas da Vila
12h30: Ucharia de São Benedito / Folia com o Grupo Raízes de Ilhabela
Local: Escola Gabriel Ribeiro dos Santos
14h30: Baile dos Congos – Ruas da Vila
19h30: Procissão e Missa Festiva – Igreja Matriz
20h00: Quermesse
21h00: Show com a Banda CPM 22
Local: Praça Coronel Julião de Moura Negrão (Vila)
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Congada de Ilhabela é tema de exposição no Centro Educacional e Cultural "Prefeito Roberto Fazzini" e no Galpão das Artes
O Centro Educacional e Cultural “Prefeito Roberto Fazzini” está com a exposição “Congada” com fotografias de diferentes períodos e esculturas em papel machê e inúmeras telas mostrando a história desta importante manifestação cultural caiçara.
Realizado pela Prefeitura de Ilhabela, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundaci (Fundação Arte e Cultura de Ilhabela), o acervo ficará exposto até o fim de maio, sempre das 9 às 17 horas de segunda a sexta-feira, com entrada franca. O Centro Cultural fica na Avenida Riachuelo, nº 1929, na Praia Grande, no sul de Ilhabela.
Com o mesmo tema o Galpão das Artes está com outro acervo fotográfico sobre a Congada, também com entrada franca. O Galpão das Artes fica na Rua da Cocaia, nº 720, na Cocaia.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Folia de Reis
POR ADRIANO LEITE
Em Ilhabela, Temos a expressão “abamo fazê um reisado este
ano”, com a significação de “vamos organizar um grupo de Reis”.
Conhecida como Folia ou Terno, é uma manifestação folclórica
do ciclo natalino de origem portuguesa, vinda dos Açores em (1748-1756), o
destino dos portugueses era Santa Catarina onde desembarcavam na ilha que é
hoje Florianópolis ficando na cidade de desterro. Outros foram levados a fundar
a freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa e Nossa Senhora das
Necessidades ao norte e distrito de Ribeirão do Sul e fundaram Porto Alegre.
Deixaram suas marcas em Santa Catarina: a Festa do Divino,
Cantiga de Saudade, Despedida, Canto de Trabalho, Cantos Reis, Desafios, Cirandas
e Cantos Religiosos.
Provavelmente veio para Ilhabela através dos pescadores de
Santa Catarina.
A Folia de Reis de Ilhabela sempre foi cantada de 20 de
novembro a 06 de janeiro e divergem das Folias de Reis apresentadas em outros
Estados. Aqui eles nunca usaram trajes característicos, não carregavam
bandeiras e não tinham palhaços, que são aqueles que brincam, dançam e fazem
acrobacias em quanto a Folia era cantada.
Em Ilhabela tratava-se de um grupo de instrumentistas e
cantadores, que durante a noite, costumava entoar de porta em porta, nos seus
cantos, versos relativos à visita dos Reis Magos ao Menino Jesus e inclusive, à
Paixão de Cristo. Iam à busca de ofertas que são usufruídas pelos participantes
e as quais podem se resumir num simples café, os donativos que ganhavam tinham
incumbência certa para a realização da Festa dos Santos Reis, dia 06 de
janeiro. Recebiam ofertas em dinheiro ou aves, peixes, porcos que eram
leiloados no dia da festa.
Tomavam parte da Folia só homens não impedindo, entretanto,
que as mulheres os acompanhassem. Seus instrumentos eram: rabeca ou violino,
viola, cavaquinho, triângulo, sinete ou garrafa percutida com um ferro, adufe ou
pandeiro, caixa ou tambor e nos últimos anos da Folia foi introduzido a gaita.
Sempre houve uma voz aguda, em falsete que terminava os
versos, conhecida pelo nome de triple, tripé ou tipe.
Nos dias de hoje não encontramos mais esses grupos de Folia
de Reis, até a década de 80 Ilhabela tinha Folia na Armação, Praia Grande,
Barra Velha, Serraria, Vila, Saco da Capela e Perequê. Hoje em dia somente o
Grupo Raízes de Ilhabela nos dá o prazer de relembrar em apresentações
especiais um pouco dessa tradição tão emocionante de se ver, de se ouvir...
Os tocadores se dirigiam de madrugada, em silêncio até a
porta principal da casa e entoavam versos que começavam assim:
“Oh vós que estais dormindo
Este sono tão profundo
Acordai e vinde ver
A maravilha do mundo”
Então acordávamos com a cantoria e esperávamos cantarem todos
os versos até o final para podermos abrir a porta:
“Não quero que nos dê nada
Nem coisa de mais valia
Quero que nos abra a porta
E nos mostre alegria”
CANTADA PELO GRUPO DO DIORANDE, SACO DA
CAPELA, COLHIDA EM 1972.
O nosso amor
É por Jesus
Por nossa causa
Morreu na cruz Ô ô ô
Os anjos São Gabriel
Que vieram do senhô
Abriram os seus braços
Com alegria e amô
Entrai nossos pastores, entrai.
Por este portão sagrado
Venham ver a Jesus cristo
No seu bercinho deitado
A choupana era pequena
Não cabia os três Reis
Entraram se ajoelhando
Cada um por sua vez
O sacrário está aberto
O menino está lá dentro
Nos viemo arrecebê
O bendito sacramento
São João, São Joaquim.
E também a Virgem Santa
Nos mandai abrir a porta
Daí um Reis a quem vos canta
Os anjos tocam o cálice
Para a missa consagrá
Também agora senhores
Nos queremos arretirá
Depois de cada estrofe cantam:
O nosso amor
É por Jesus
Por nossa causa
Morreu na cruz Ô ô ô
(Reis- ajutório)
Texto: Prof. Adriano Leitte
O Pássaro com o Bico de Tesoura
VÓ – Arrelá meu Deus fazeis com que minha filha tenha
bom parto, tô sentindo um nó por dentro de mim.
MÃE CARMIRA – Manhê! Manhê! Tô sentino uma
pontada na escadera, será que minha criança nasce hoje?
PAI – Escutai Carmira, eu bô subi o morro do baepi prá mata
uma caça, faz dias que não temo mistura.
MÃE – Bidico não ide, não tô me sentino
bem, minha escadera tá muito duida, acho que bosso filho bai nascê hoje.
VÓ – Bidico não precisa de caça, eu faço um angú de farinha
e pego no terrero um punhado de coentro do mato, bai ficá uma dilíça.
PAI – Não, tô desde anteonte me preparano pra subi o
morro, pois agora eu bô, amanhã cedo eu tô de Borta. (sai de cena)
MÃE – Mãe tô cum pressentimento estranho
cum Bidico, tô ficano tão nerbosa.
VÓ – Bois não podeis ficá nerbosa co a barriga
destamanho. (Entram pra casa).
2ª cena
(Tonha e
Carmira sentadas no banco na frente da casa).
MÃE – Mãe minha criança bai nascê sem pai, já fazem dois
meses que Bidico desapareceu na mata, arrelá será que foi cobra ou uma
jaguatirica que matô bidico.
VÓ – Não se sabe minha filha, não ficais pensano nisso
agora, cada um debe tê um distino nessa bida de Deus.
MÃE – Ai manhê, tô sintino uma dô fina pelas costa
intirinhazinha, parece que tô mijano, pois tá escorrendo água pelas minhas
perna.
VÓ – Arrelá minha filha bosso filho bai nascê, bamo logo
entrá pra dentro de casa. (leva a filha pelo braço).
(a criança
nasce e Carmira morre).
VÓ – Ho meu Deus que distino horríbel, arrelá! Minha filha
morreu, porque tirasse minha filha desse mundo, agora só resta eu e meu neto.
(chorando, entra em casa).
FREIRA – Os anos passam o menino cresce,
Dona Tonha coloca o nome nele do abô, Pedro.
3ªcena
(O menino
brincando de pega- pega com seus amiguinhos)
- O menino tropeça
e cai. (eles brigam)
PEDRO – Seu desgraçado, que a desgraça te
carregue pros quinto dos infernos, seu porco chifrudo (e foi embora).
AMIGO – Pedro, eu não tibe culpa, bocê caiu,
bolta aqui.
PEDRO – (indo embora) – Desgraçadooo...
AMIGOS - (saem do palco) – Boçê biu que
estranho Pedro é?
- Ele só
xinga aquele nome seco.
- Ele tá
muito deferente, parece que bai acontecê alguma coisa com a bida dele. Deus que
me libre!
NOME SECO – (dando gargalhada) nunca mais
essas crianças bão se librá de mim, aonde esse tal de Pedro fô eu bô atrás,
hááá bô pirsigui até o fim... (sai de cena).
PEDRO – (volta ao palco chorando) Foi por
causa de tonico que eu caí, aquele desgraçado, ele bai bê só, ainda arranco
sangue da cara dele, menino desgraçado. (dando soco no chão).
FREIRA – Pedro o que aconteceu? Porque
estais chorando?
PEDRO – Porque a desgraça do Tonico me
aderrubô, aí eu cai e machuco a desgraça do joelho. Não estais bendo a sanguera?
FREIRA – Pedro bocê xinga muito esse nome
seco. “Desgraça” significa não ter a graça de Deus. Quem chama muito esse nome
se acava na miséra, bois não sabeis disso?
PEDRO – Oquá irmã,isso não é berdade. (sai
de cena).
FREIRA – Meu jisus cristo tomai conta dessa
criança, cubra a caveça desse menino co vosso manto. (saíndo de cena).
4ªcena
VÓ TONHA – Pedro! Pedrooo! Bem almoçá. Arrelá
minha santa piligrina dadonde será que esse menino se meteu... Morro de medo de
pedro andá poraí poressa mata xingando aquele nome seco. Pedro! Pedroooo!
(saindo de cena).
PEDRO – Essa minha bó é uma desgraça, bibi
atrás de mim, que bida desgraçada. (passando pelo palco).
NOME SECO – (dando gargalhadas) Hoje bois não
me escapais, bô arrumá um jeito de te pegá e bai se hoje. (indo atrás do
Pedro).
(aparece
Pedro e a vó comendo)
PEDRO – Bó, bou brincá de bolinha de gude
com meus amiguinhos.
VÓ – Pedro, meu filho, brinque em paz, não me brigue co
seus amigo e pelo amô de Deus não me xingue mais aquele nome seco, porque quem
chama muito, ele bem pegá, desde criança minha mãe já falaba isso, tais me
oubindo? Há! Tais me oubindo? Hem!
PEDRO – Há! Bô não enche o saco. (pega sua
bolsinha de pano e sai do palco).
VÓ – Meu jisus menino tome conta do Pedro. O meu medo é
que um dia esse nome seco benha e lebe o Pedro embora desse mundo.
5ªcena
(os meninos
brincando de bolinha de gude)
AMIGO – Pedro, bocê está errado, é a minha
bez de jogar, sempre só boçê tá certo.
PEDRO – (dá um tapa no rosto do amigo, o
amigo cai e começa a chorar)
- Seu
mardiçoado, desgraçado, bocê sabe que estou sempre certo. Um dia ainda hei de
bê a desgraça te carregá para o fim do mundo... (nesse momento chega um pássaro
enorme e começa a atacar o menino).
PÁSSARO – Bocê sempre me chama,então eu bim
te buscá.
PEDRO – Socorro, socorro, alguém me
ajuda!!!
AMIGOS – Que chero horríbel, chero de coisa
podre.
- É o
pássaro que tá soltano esse chero.
- Bamos
embora daqui (os amigos saem correndo).
(Pedro sai
de cena desesperado e o pássaro atrás a perseguir)
AMIGO – Dona Tonha! Dona Tonha!
VÓ – O que quereis crianças, aconteceu alguma coisa com
meu neto?
AMIGO – Dona Tonha estábamos brincano na
baixada quando apareceu um pássaro muito estranho com um bico de tisora e
começo a ataca o Pedro.
- O bicho
soltaba um chero muito podre demais.
VÓ – Ai minha birge maria é o nome seco que beio pegar o
meu neto.
(corre
dentro da casa e pega o terço e desce o morro correndo, quando chega à baixada
encontra o pássaro perseguindo o seu neto, então se ajoelha e começa a rezar).
VÓ – Meu Deus ajudai meu neto, ele está nas bosas mão,
não deixais que o nome seco consuma co meu neto. Ave Maria cheia de graça...
PÁSSARO – Calais bossa voca, belha miserábel,
tais pensano que essa rezinha bai adiantá alguma coisa? Há! Há! Há! Há! Essa
criança bibe me chamano, agora ela será só minha. Há! Há! Há! Há! (o pássaro
pega o menino e desaparece por trás das montanhas, Dona Tonha rezando sem parar
corre atrás do pássaro e tenta pegar o seu neto).
VÓ – Debolba meu neto em nome do sangue de Jisus. (chorando).
6ª cena
(a dona
tonha desesperada corre atrás do capitão do mato, o senhor Nicolau).
VÓ – Cadele Nicolauê ele taba aqui, aiaiai, me disseram
que Nicolauê taba aqui na pedra do bentibi.
NOME SECO – Não adianta belha Tonha, o que
achais que Nicolauê bai fazê? Nunca Nicolauê bai consegui acha bosso neto.
VÓ – Ai! Que arrepio no meu corpo intirinhozinho, ai
Jisus corre por dentro de mim, que bois é essa? Que bois amardiçoada? Nicolauê!
Nicolauê!
CAPITÃO DO MATO – Dona Tonha, o que aconteceuê?
VÓ – Sabeis meu neto Pedro, xingô tanto o nome seco que
um pássaro enorme, fidido, com catinga de enxofre e com bico de tisora
beio e lebô meu menino embora.
CAPITÃO DO MATO – Quando Dona Tonha, arrelá, quando
isso aconteceuê?
VÓ – Hoje, logo adepois do armoço, era mais ou menos uma
hora da tarde. Achais meu neto seu Nicolauê eu bós improro. O pássaro lebou meu
neto pra mata, boou por detrás do Baepi.
CAPITÃO DO MATO – Carmai Dona Tonha, bou fazê o
possíbel pra achá bosso neto. (a vó sai do palco chorando).
CAPITÃO DO MATO – Que coisa incríbel, o nome seco lebou
o menino Pedro pra mata birge.
7ªcena
(Tonha
passando pelo caminho da pedra grande encontra com Nicolau)
VÓ – Seu Nicolauê, não tens nobidade de meu neto, já se
passaram quarenta dias...
CAPITÃO DO MATO – Dona Tonha, tá difícil, não
conseguimo encontrá nada, nem um rastro desse tal pássaro co bico de tisora,
não é fácil encontrá algo que o coisa runhê escondeu.
VÓ – Seu Nicolauê, à de haber um jeitinho de encontrá
meu neto, rezo todo dia, continuai a busca que Deus bai iluminá bosso caminho.
(saem de cena).
8ªcena
(na casa de
Dona Tonha)
CAPITÃO DO MATO – Dona Tonha! Dona Tonha!
VÓ – Arrelá seu Nicolauê encontrasse meu neto?
CAPITÃO DO MATO – Dona Tonha até que não demorô
tanto, dois meses de busca, encontramo bosso neto.
VÓ – Deus atendeu a minha prece. (ajoelha) Obrigado
senhô, Minha gratidãoê é muito grande demais. (faz o sinal da cruz).
CAPITÃO DO MATO - Dona Tonha bosso neto se encontra numa gruta
cheia de espinho, não há jeito de tirá ele de lá, a gruta é profunda demais.
VÓ – Como meu neto tá seu Nicolauê.
CAPITÃO DO MATO – Muito magro, cheio de firida pelo
corpo e fede como se fosse carniça, nem se move só bejo sua lágrima escorrendo
pela cara.
VÓ – Deus me ajudô a encontrá, pois bai me ajudá a tirá
dessa gruta amardiçoada. Bamos chamá a irmã Maria. (saem do palco).
9ªcena
(a vó,
capitão do mato e a freira na gruta).
FREIRA – (joga água benta), em nome do pai,
do filho e do espírito santo amém, que Deus coloque sobre bosso corpo o seu
manto sagrado.
VÓ – Nada acontece irmã, o que bamo fazê? (aparece o
pássaro em cima da gruta).
PÁSSARO – (dando gargalhada) Nada que bocês
fizerem bai dá jeito, essa criança bai sê minha pra sempre, quem mandô ele me
chamá tanto, ele me ama, pois agora a desgraça bai fazê parte da bida dele. Há!
Há! Há! Há!
FREIRA – (joga água benta no pássaro) sais
daqui em nome de Deus (o pássaro desaparece por trás da gruta) Dona Tonha a
única pessoa que irá consigui tirá bosso neto do fundo dessa toca é a madrinha
dele, ela tem de trazê a toalha que ela enxugô a caveça da criança na hora do
batismo.
VÓ – Bamos embora chamá a Dona Ritinha, Bamos seu
Nicolauê, a Dona Ritinha mora longe, mora lá em Santo.
10ªcena
(D. Ritinha,
vó, freira, C. do mato na gruta).
(A madrinha chega
à toca estende os braços e o menino da um salto no colo da madrinha).
MADRINHA – Graças a Deus, conseguimo tirá o
Pedro desta toca.
VÓ – Meu neto, Deus é maiô.
FREIRA – Nossa! Que chero de enchofre que
esse menino tá.
CAPITÃO DO MATO – É o chero do coisa runhê. (todos
fazem o sinal da cruz e fecha a cortina).
FREIRA – (abre a cortina) A madrinha lebou
o menino para casa de Tonha e cuidô , curô suas firida, deu cumida , deu
banho...
Depois dessa
experiênça o Pedro mudo compretamente.
Nunca mais
brigô com seus amigos lebou o estudo a séro, passô a obedecê sua bô, sua
professora, comprendeu que sendo educado e amoroso com as pessoa sua bida seria
marabilhosa.
quarta-feira, 28 de março de 2012
O Tradicional Banho da Dorotéia de Ilhabela
O Conhecido e concorrido Banho da Dorotéia, uma das atrações do Carnaval de Ilhabela, nasceu há quase sessenta anos, originalmente chamado de Banho da Gerarda.
Ao passar o Carnaval de 1955 em Ilhabela, um jovem advogado – Alexandre Derani, começou a sugerir que em Ilhabela deveria existir um banho à fantasia a exemplo do que ocorria em Santos, o famoso Banho da Dorotéia.
A idéia do Banho da Dorotéia ganhou força em 1956 e o Banho da Gerarda saiu às ruas com muitas crianças, jovens caiçaras, turistas e alguns adultos, todos ligados de alguma forma ao Maembi Hotel.
As Fantasias, feitas de papel crepom, foram vestidas no Maembi ou na Praça Coronel Julião de Moura Negrão, o grupo de Carnavalescos saiu do Esporte Clube, deu a volta pelas ruas da cidade e os participantes caíram no mar, pulando do Pontão, colorindo o mar com suas diversas cores e diferentes tonalidades.
No ano seguinte, em 1957, o banho da Gerarda já mais organizado, tendo Alicinho, funcionário do Maembi Hotel, fantasiado de rumbeira, e com Delcídes Cardial e Moacir, ambos da família de Dona Cristina, dona da única padaria da Vila, fantasiados de babá e bebê, num carrinho de pedreiro todo enfeitado. Iniciou-se neste ano a participação do pessoal da padaria que acabou consolidando e eternizando o Banho da Gerarda, que persiste até os nossos dias, com o nome de Banho da Dorotéia.
Dona Dedé França estava sempre presente nos bastidores desde a época do Banho da Gerarda, arrumando modelitos para as fantasias de sua filha Maia e das demais moçoilas que juntamente com todos os jovens ilhabelenses e freqüentadores da ilha, tinham na sua cara histórica o ponto de encontro e de recreação da época.
O Banho da Dorotéia foi crescendo e incorporando novos grupos como o do Hotel Petit Village, do Hotel Palhoça, do Hotel Barjara’s – que era comandado pela atriz Consuelo Leandro, para chegar aos dias de hoje.
Quantas saudades...
Foto: Ronald Kraag
Artesanato Caiçara (Ilhabela)
Festa de Nossa Senhora D'Ajuda e Bom Sucesso - Padroeira de Ilhabela

As manifestações folclóricas – principalmente as de cunho religioso – são, sem qualquer sombra de dúvida, as principais responsáveis pela preservação dos remanescentes da cultura caiçara e da memória histórica popular de Ilhabela.
Nesse contexto, a festa de Nossa Senhora D’Ajuda e Bom Sucesso ganha ainda mais importância, pois se trata da mais antiga manifestação cultural do município, com sua origem datando do final do século XVII, ou seja, um século antes da fundação de Ilhabela. A própria história do arquipélago está intimamente ligada a devoção na Padroeira.
Devido ao isolamento e a dificuldade de acesso, as manifestações religiosas tiveram importante papel cultural e social em Ilhabela até a década de 1960. Em virtude da inexistência de sinais de rádio e televisão, dezenas de comunidades insulares viviam praticamente isoladas do mundo, o que motivava os moradores à pratica de diversas atividades artísticas e, principalmente, religiosas, o que contribuiu enormemente para o enriquecimento da cultura caiçara em nosso município-arquipélago.
Hoje, com o mundo globalizado, onde praticamente todos as camadas sociais têm acesso à informação e ao entretenimento, a festa de Nossa Senhora D’Ajuda e Bom Sucesso – ao lado da Festa de São Benedito – demonstra anualmente a importância e a riqueza da cultura e religiosidade do povo caiçara, onde muita coisa do cotidiano de centenas de anos foi mantida até os dias atuais em virtude dessas que são duas das principais manifestações culturais de Ilhabela.
Texto: Prof. Adriano Leitte
Foto: Divulgação

